Teatro em Movimento, com o patrocínio do Itaú e do Instituto Unimed-BH, traz a Belo Horizonte o espetáculo “Frida Y Diego”

 

Com texto inédito de Maria Adelaide Amaral, montagem coloca em cena esses dois artistas mexicanos e sua complexa relação, vividos pelos atores Leona Cavalli e José Rubens Chachá. Trama envolve paixão, cumplicidade, liberdade e amor incondicional. Dias 30 e 31 de maio, no Sesc Palladium

 

 

A fascinante e conturbada relação dos artistas mexicanos Frida Kahlo e Diego Rivera chega aos palcos pelas mãos da dramaturga Maria Adelaide Amaral em "Frida Y Diego", vividos por Leona Cavalli e Chachá, dirigidos por Eduardo Figueiredo. Em Belo Horizonte, a montagem integra a programação do Teatro em Movimento, contando com duas apresentações, dias 30 e 31 de maio, sábado, às 20h e domingo, às 19h, no Sesc Palladium. 

 

O texto inédito de Maria Adelaide enfoca o reencontro dos dois artistas depois da traumática separação. Reencontro que levaria a reconciliação dos dois, numa fase muito difícil da vida de Frida, já bastante doente, em casas vizinhas ligadas por um corredor.  Frida Kahlo e Diego Rivera viveram um grande e conturbado amor, ao mesmo tempo em que influenciavam com sua arte latina o mundo das artes plásticas europeu e americano na animada e confusa década de 30.  A peça, recheada de conflitos, poesia, nostalgia e humor, tem tem direção assinada por Eduardo Figueiredo, direção de produção por Maurício Machado, iluminação por Guilherme Bonfanti, cenário, figurino e adereços por Márcio Vinícius, direção musical de Guga Stroeter.

 

O mais recente texto de Maria Adelaide, foi “Chanel”, com Marilia Pera, há dez anos. A dramaturga assinou a adaptação para os palcos do livro de Ligia Fagundes Teles “As Meninas”.

 

Para a realização de suas atividades, em 2015, o projeto mantém as parcerias de patrocínios com Itaú e com o Instituto Unimed-BH, via Lei Federal de Incentivo à Cultura.

 

A montagem

O convite para escrever uma peça sobre Frida Kahlo e Diego Rivera foi feito pelo diretor Eduardo Figueiredo e pelo diretor de produção do espetáculo, o ator Maurício Machado, à dramaturga Maria Adelaide Amaral, em 2013. “Eu sempre tive fascínio por Frida e Diego. Vi algumas exposições dela por esse mundo afora e quando fui ao México conheci pessoalmente a obra de Diego. Estive na Casa Azul duas vezes e visitei a casa deles em San Angel. Isso alguns meses antes do Eduardo e do Maurício me encomendarem a peça”. Conta a autora. Maria Adelaide estudou profundamente a vida da dupla de artistas para escrever o texto. “Não é bem ficção. É teatro e o tema foi intensamente pesquisado nos livros sobre Diego e Frida que já tinha e em outros que me mandaram dos Estados Unidos e México”, completa a autora.

 

Para a montagem, o diretor Eduardo Figueiredo focou na interpretação dos atores, “esse espetáculo é dos atores, nós só vamos preparar a cama para eles se divertirem” e optou por colocar música ao vivo no espetáculo. Em cena, dois músicos tocam acordeon e baixo. “Para mim é fundamental que uma peça como esta tenha músicos em cena, o próprio Diego Rivera era um grande festeiro e a música aqui reforça a passionalidade da relação deles. Pretendo falar da humanidade presente destes dois grandes artistas”, comenta o diretor. Outro aspecto importante para mim é fomentar questionamentos, nesse contexto específico, temas tão contemporâneos como traição e lealdade. E a obra de Maria Adelaide, apresenta, de forma explicita esse universo afetivo desses dois grandes artistas sem perder o panorama histórico que tanto os influenciaram. E a dramaturgia e o trabalho dos atores são o nosso norte no espetáculo!", acrescenta.

 

O ator José Rubens Chachá, que completa 40 anos de carreia com esta montagem, observa: ”Foi o melhor presente que poderia receber. Eu tenho fascínio muito grande por personagens reais. Quando completei 30 anos de carreira, a Maria Adelaide me convidou para viver Oswald de Andrade no espetáculo “Tarcila”, também de sua autoria. Desta vez, o presente me surpreendeu ainda mais. Considero Oswald e Diego dois antropofágicos em suas artes tão diversas”.

 

Há 9 anos sem participar de uma produção de teatro, a atriz paulistana Leona Cavalli comemora o retorno. ”Frida foi sempre absolutamente avançada em sua arte e na vida, ela teve a coragem de fazer da sua existência uma obra de arte e fez isso com extrema inteligência, indo muito além da sua dor. É um privilégio trazer para a cena a humanidade dela, o texto da Maria Adelaide coloca a matéria prima da arte da Frida na dramaturgia, ou seja, a sua vida. Muitas coisas que estão escritas na peça foram ditas pela artista”, conta a atriz.

 

Um pouco da história

Frida Kahlo foi uma artista única, para muitos é considerada a pintora do século. Em 1913, com seis anos, Frida contraiu poliomielite, a primeira de uma série de doenças, acidentes, lesões e operações que sofreu ao longo da vida. Apesar de seu pouco tempo de vida, deixou obras magníficas e intrigantes que influenciam o mundo das artes até hoje. Sua trajetória também é tida como uma obra instigante e com grande poder de chamar atenção.

 

Diego desde criança sempre quis ser pintor e todos percebiam ter talento para isso. Ao ficar adulto, após estudar pintura na adolescência, participou da Academia de San Pedro Alvez, na Cidade do México, partindo para a Europa, beneficiado por uma bolsa de estudos, onde ficou de 1907 até 1921. Esta experiência enriqueceu-o muito em termos artísticos, pois teve contacto com vários pintores da época, como

 

Pablo Picasso, Salvador Dalí, Juan Miró e o arquiteto catalão Antoni Gaudí, que influenciaram a sua obra. Nesta época começou a trabalhar num ateliê em Madrid, Espanha. Acreditava que somente o mural poderia redimir artisticamente um povo que esquecera a grandeza de sua civilização pré-colombiana durante séculos de opressão.

 

Em 1929, Frida e Diego se casam. Ela com 22 anos e ele com 43, era o terceiro casamento de Diego. Viveram uma relação muito conturbada, por conta de casos extraconjugais de ambos, de suas personalidades fortes e de suas convicções artísticas e políticas. Rivera aceitava abertamente os relacionamentos de Kahlo com mulheres, mesmo ela sendo casada, mas não aceitava os casos da esposa com homens. O casamento era cheio de brigas e confusões, também pelo fato de Rivera querer filhos e Frida, que enfrentava problemas de saúde desde muito jovem devido a um sério acidente sofrido na adolescência, ter sofrido muitos abortos; filhos dele; e não conseguir engravidar mais.

 

Rivera envolveu-se com sua cunhada, Cristina, e tornou-se amante dela. Ficaram muitos anos juntos e tiveram seis filhos. Frida apanhou-os na cama, tendo um ataque histérico e cortando os próprios cabelos. Como vingança, passou a atormentá-lo, passando a persegui-lo e a odiar a irmã, quando acabaram por se separar. Muito abalado com tudo, Diego abandonou os filhos e Cristina, que foi embora. Depois acabou indo atrás de Frida, mas não tendo sucesso na reconquista. Passaram a ser inimigos. Rivera continuou com sua vida de antes, muitas bebidas e amantes, inclusive saía com prostitutas, mas sempre pensando em Frida. Após um tempo separados, Frida e Rivera se reconciliaram. Os dois moraram em casas vizinhas conectadas por um corredor até a morte de Frida em 1954, aos 47 anos. A Casa Azul, como ficou conhecida, abriga hoje o Museu Frida Kahlo, e conserva tudo como os dois deixaram, lá é possível encontrar cartas de amor trocadas pelo casal e diversos objetos do cotidiano dos dois.

 

Ficha Técnica:

Texto: Maria Adelaide Amaral. Direção: Eduardo Figueiredo. Elenco: Leona Cavalli e José Rubens Chácha. Direção musical e trilha: Guga Stroeter e Matias Capovilla. Músicos convidados: Wilson Feitosa Jr. (acordeon) e Arthur Decloedt (baixo acústico) Direção de arte – cenografia, figurinos e adereços: Marcio Vinicius. Visagismo: Anderson Bueno. Desenho de luz: Guilherme Bonfanti. Assistência de direção: Alex Bartelli. Direção de movimento: Renata Brás. Estágio de direção: Eric Mourão. Programação visual: Vitor Vieira. Projeto de vídeo e projeções: Jonas Golfeto. Fotos de divulgação: Gabriel Wickbold. Fotos de cena: Lenise Pinheiro.  Produção executiva: Ton Miranda Gerência de produção: Bia Izar. Direção de produção: Maurício Machado. Realização e produção nacional: Manhas & manias eventos. Realização em Belo Horizonte: Teatro em Movimento, com patrocínio do Itaú e do Instituto Unimed-BH, com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Produção local: Rubim Produções

 

 

Serviço: “Frida Y Diego”

Classificação: 16 anos -   Duração: 90 minutos – Gênero: Drama

Dias/horários: 30 e 31 de maio de 2015, sábado, às 20h e domingo, às 19h

Local: Grande Teatro Sesc Palladium - Rua Rio de Janeiro, 1046 - Centro (estacionamento pago no local)

Ingressos: Plateia I: 60,00 R$  / Pláteia II: R$50,00

Vendas: bilheteria do teatro e www.ingressos.com

Meia entrada válida para maiores de 60 anos e para estudantes devidamente identificados (conforme MP 2208/2001)

10% da capacidade vendável do teatro é destinada gratuitamente para entidades de baixa renda devidamente comprovadas. 20% da capacidade vendável do teatro tem o valor de R$ 50,00 em atendimento ao Vale Cultura.

 

Informações: Telefone:(31)  3214-5350– sites: www.teatroemmovimento.art.br /

www.sescpalladium.com.br

 

Informações para a imprensa:

Jozane Faleiro - (31) 35676714 / 92046367 -  contato@jozanefaleiro.com

 

 

Maria Adelaide Amaral

É jornalista, escritora e dramaturga. Portuguesa, nasceu em 1º de julho de 1942, em Alfena - Conselho de Valongo - Distrito do Porto. Aos 12 anos de idade, chega a São Paulo em 1954. Trabalhou numa fábrica de camisas, onde sua inabilidade para chulear a convenceu definitivamente que sua paixão era mesmo ler e estudar com voracidade, não obstante as dificuldades materiais. Foi vendedora numa joalheria, bancária no Banco da Lavoura de Minas Gerais e pesquisadora na Editora Abril, para a coleção Teatro Vivo, emblemática publicação dos anos 70. Iniciou, no conturbado ano de  1968, o curso de Ciências Sociais da USP, sem concluí-lo, formando-se porém em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero no ano de 1978.

 

Em 1975, em meio a uma grave crise no setor editorial, Maria Adelaide sentiu a necessidade de escrever sobre o que via: uma demissão em massa e as reações humanas, das mais diversificadas, frente ao fato inevitável. Assim, surgiu seu primeiro texto dramatúrgico, A Resistência. O primeiro texto a ser encenado no entanto, seria  Bodas de Papel, escrito em 1976 e montado em 1978 em São Paulo. Seu primeiro livro,  Luisa, Quase uma História de Amor, publicado em 1986 pela Editora Nova Fronteira, arrebata o Prêmio Jabuti de melhor romance daquele ano. Transformado em peça teatral alguns anos depois, com o nome de De Braços Abertos, com Irene Ravache, Juca de Oliveira e direção de José Possi Neto, o texto recebeu incontáveis prêmios, transformando sua autora em nome nacionalmente conhecido.
 

Maria Adelaide repetiria parcerias com o diretor José Possi Neto em: Inseparáveis , com Irene Ravache, o falecido Eduardo Conde e Jussara Freire , O Evangelho segundo Jesus Cristo, adaptação realizada por ela da obra do escritor português José Saramago e Joana Dark a re-volta, de Carolyn Gage, traduzido para Christiane Torloni. 

 

O convite para a TV veio em 1990, quando Cassiano Gabus Mendes a convidou para escrever com ele a Novela Meu Bem, Meu Mal. De tão bem sucedida, sua primeira experiência gerou, sempre na Rede Globo, outras cinco novelas e cinco minisséries.  Dentre suas obras publicadas, entre romances e textos dramatúrgicos, Maria Adelaide publica em 1994 a biografia da comediante Dercy Gonçalves; e sua peça Intensa Magia transforma- se em filme em 2004, com o título de Querido Estranho, protagonizado por Daniel Filho. 

 

Enfrentar o seqüestro de um irmão, muitas perdas, mudanças de rumo e o surgimento de um câncer em 1998, estão presentes em suas obras e a caracterizam a porta-voz de um Teatro do cotidiano, associando a História do Brasil a uma linguagem mais lúdica e abrangente como se vê em suas minisséries.

 

Em 2006, com uma bagagem de seis novelas, um seriado, cinco minisséries, doze espetáculos teatrais, três adaptações para teatro, dez  traduções,  uma biografia e duas dezenas de prêmios, Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira retomam a já  consagrada parceria na minissérie JK, da Rede Globo. Sua biografia A Emoção Libertária, escrita por Tuna Dwek, é publicada pela Imprensa Oficial.

 

Teatro em Movimento

O projeto Teatro em Movimento, coordenado pela Rubim Produções, de Tatyana Rubim, foi criado há 14 anos, com o objetivo de descentralizar o acesso às grandes montagens do eixo Rio-São Paulo, promovendo a circulação dos mesmos para outros Estados e também pequenas cidades. Desde então, contabiliza 174 montagens, que somam mais de 503 apresentações, envolvendo cerca de 537 artistas, em 14 cidades, 27 teatros e público superior a 365 mil pessoas.

Inicialmente, atuando em Minas Gerais e seu entorno, o projeto trouxe à capital mineira e algumas cidades do interior, espetáculos com peso nacional, tendo no elenco atores como Bibi Ferreira, Thiago Lacerda, Vladimir Brichta, Cissa Guimarães, Mateus Solano, Glória Menezes, Antônio Fagundes, Nicete Bruno, Paulo Goulart, Marco Nanini, Luana Piovani, Lilia Cabral, Rodrigo Lombardi, Cláudia Raia, Marisa Orth, Renata Sorrah, Paulo Gustavo e muitos outros.  Dentre os espetáculos que o projeto deslocou para a capital mineira estão “Hamlet”, “Incêndios”, “Esta Criança”, “Gonzagão – a Lenda”, “Bibi Ferreira – Histórias e Canções”, “Quem Tem Medo de Virgínia Woolf”, “O Grande Circo Místico”, “New York, New York”, “Bem-vindo, Estranho”, “Milton Nascimento – Nada Será Como Antes”, “Cassia Eller – o Musical”, “Azul Resplendor”, “Poema Bar” e muitos outros.

 

O projeto também já atuou em diversos Estados brasileiros, como São Luiz (MA), Vitória (ES) e Aracajú (SE).  Em Minas Gerais, além de Belo Horizonte, o projeto atua em Nova Lima, Betim e Araxá. Os resultados do projeto vão além da inclusão das cidades na circulação das montagens. A iniciativa possibilita a formação de um espectador mais crítico e de um público mais preparado e habituado a lotar as salas dos teatros. A ideia é consolidar o hábito de ir ao teatro e fomentar a cultura das artes cênicas, por isso os espetáculos acontecem ao longo do ano e não concentrados em um curto período como nos festivais. O teatro, sendo um agente de transformação social, é capaz de atuar como um difusor de ideias e de cultura podendo ser usado como um instrumento de comunicação. Para ratificar a potencialidade de transformação social e cultural do teatro e colocar em prática os objetivos do projeto, o Teatro em Movimento ainda promove, sempre que possível, oficinas gratuitas, palestras e workshops para profissionais da área e interessados. Dessa forma, cria-se uma rede de circulação de informação fortalecendo a possibilidade de sustentabilidade do setor cultural.