“Minha vida é um limão, 
por favor devolvam meu dinheiro”

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Fotos: Fabiana Gomes

Lançamento do livro do escritor argentino Agustín Arosteguy terá bate-papo performático com Guga Barros,

dia 29 de setembro, no Sesc Palladium

 

O lançamento do livro de prosas e poesias “Minha vida é um limão, por favor devolvam meu dinheiro” (Editora Ramalhete, 2016), do escritor argentino residente no Brasil, Agustín Arosteguy, será marcado por um encontro inusitado. O autor fará um bate-papo performático com a jornalista e atriz Guga Barros, combinando literatura, música, ao som do bandoneon de Otto Hanriot, e vídeo de Henrique Roscoe. O encontro será no dia 29 de setembro, às 19h, no Sesc Palladium, dentro do projeto Palco Biblioteca, que tem como temática “Deslocamentos: Territórios e Olhares”, com entrada gratuita. A vida nas grandes cidades, a procura pelo amor e pelos prazeres culinários são temáticas recorrentes na obra de Agustín, que também é produtor cultural e doutorando em lazer. 

 

O título, originado de uma canção do cantor norte-americano Meat Loaf, dá nome a um dos 25 textos do livro. O prefácio é do poeta mexicano Daniel Bencomo e orelha do poeta mineiro Jovino Machado. A pergunta sobre o amor e a busca pela resposta no cotidiano é o motivo em torno do qual se constrói “Minha vida é um limão, por favor devolvam meu dinheiro!”. Em um mosaico de dilemas líricos, prosa e poesia perseguem o amor e a pessoa amada em situações da vida urbana contemporânea, entre paixão, humor, dúvida, fantasia e desejo. Sentimentos e emoções atemporais são traduzidos em linguagem poética coloquial de pose cosmopolita. 

 

Um papo com a dupla

Sobre apresentar o evento no formato de um bate-papo performático, com a presença de um artista tocando um bandoneon, Agustín reflete: “Acho bem interessante essa oportunidade de mostrar características e hábitos de minha cidade, que é pequena, próxima a Bueno Aires, para mostrar aos mineiros como vivemos. Vivi nessa cidade até os 18 anos, depois me mudei para Buenos Aires, e vivi também em outros países. A questão da busca do amor, as relações sociais, a realização pessoal e humana, encontrar outra pessoa para compartilhar sua vida, isso são temas universais que atravessam o livro. Com o olhar de uma pessoa que veio de uma cidade pequena, mas que teve experiência em outras cidades de outros países. Agora estou morando no Brasil. Isso enriquece e ajuda a pensar sobre o amor, sobre o amor ideal, o amor platônico, o medo que as pessoas têm de enfrentar o amor real, adiando o encontro e a realização física”.

 

Do encontro com Guga Barros, Agustín observa: “ela tem muito em comum comigo, são os encontros que temos na vida com pessoas especiais. O olhar da Guga vai enriquecer o evento em si, mas também a minha vida. Vai contribuir com meu olhar sobre as coisas. Ela tem um trabalho sobre os imigrantes na cidade. Está sendo uma troca de ideias”.

 

Guga Barros por sua vez acrescenta: “Esta proposta do Palco Biblioteca tem a ver com o que eu penso sobre literatura. A literatura não é uma biblioteca empoeirada. A literatura pra mim é vibrante, que trabalha sua imaginação, sua inteligência e até mesmo sua espiritualidade. Não só a literatura, como as diversas linguagens e formas de cultura. Sou quase uma militante da cultura, como jornalista da área. Defendo uma abertura de Belo Horizonte para o mundo mesmo, parodiando Fernando Brant – sou do mundo, sou Minas Gerais. O tema não poderia ser mais atual. Vamos versar sobre isso, sobre a diversidade. Somos viajantes, estamos aqui de passagem. Então, será um momento muito especial esse que vamos viver no palco do Sesc”.

 

 

Esta edição brasileira, segundo livro de Agustín Arosteguy traduzido para o português, foi publicada com suporte do Programa SUR de Apoio às Traduções, do Ministério de Relações Exteriores, Comercio Internacional y Culto da República Argentina. “A importância desse programa que auxilia os escritores na tradução para outros idiomas – é muito grande, ainda mais quando se está morando em outro país e se quer escrever em outro idioma que não é o seu”, fala Agustín. 

 

Agustín também escreve, como correspondente estrangeiro, para a coluna “Mosaicos”, publicada no jornal La Capital, da cidade de Mar del Plata, na Argentina. A coluna aborda “Literatura brasileña Actual” (http://www.lacapitalmdp.com/mosaicos-literatura-brasilena-actual-contumacia-poetica-de-la-geografia/).

 

A Editora Ramalhete é uma nova editora mineira. Iniciou em 2015 as suas atividades em Belo Horizonte, abrindo mais um espaço para produção de livros e publicações especiais, com a coordenação editorial do editor e livreiro Álvaro Gentil.

 

 

Biografias

Agustín Arosteguy – Nasceu na cidade de Balcarce, na Argentina, em 1977. É escritor, produtor cultural e doutorando em Lazer e Sociedade pela UFMG. O romance “Escaramú Majestic” foi lançado pela Editora Fuga (Chile) em 2012 e em versão ebook pela Editora Araña (Espanha) em 2013. Através do Programa Sur de apoio às traduções, o romance foi editado em português pela Editora Mórula, sob o título “Carne de canhão”. A Editora argentina La Vaca Mariposa lançou em 2013 o livro de relatos poéticos “Mi vida es um limón, ¡por favor devuelvan mi dinero!”. O livro de contos “¿Estás contenta con tu Rocambole, amor mío inaccesible?”, foi finalista do II Prêmio de Literatura Experimental, organizado pelo Sporting Club Russafa (Espanha). Entre maio de 2013 e dezembro de 2014, escreveu a coluna quinzenal “Licuadora” para Suplemento Cultura do jornal La Capital da Argentina e desde maio 2015 escreve no mesmo Suplemento, a coluna “Mosaicos” sobre literatura contemporânea brasileira. Possui poemas e relatos publicados em revistas virtuais e coletâneas em Espanha, México, Chile e Argentina.

 

Guga Barros – É jornalista mineira, formada em Rádio/TV e em Jornalismo no curso de Comunicação Social da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG. Mestre em Documentário de Televisão pela Goldsmiths College, da Universidade de Londres, Inglaterra. Em 2015, foi selecionada para um curso na emissora japonesa NHK, em Tóquio, sobre Produção de Programas para Televisão Digital. Atriz formada pelo Curso de Formação de Atores do Teatro Universitário da UFMG. Nos últimos nove anos dirigiu e apresentou o programa semanal Imagem da Palavra, da Rede Minas de TV, sobre literatura. Fluente em inglês, francês e espanhol. Atuou como professora nos cursos de Comunicação Social de diversas faculdades e na UFMG em disciplinas ligadas à televisão.Foi repórter e apresentadora de diversos programas de televisão. Foi editora de texto do departamento de jornalismo do SBT, em São Paulo, e repórter do programa Bom Dia, Mulher, na RedeTV!, também em São Paulo. Foi locutora e repórter em três emissoras de rádio FM em Belo Horizonte. Atuou em diversas peças de teatro. Alguns de seus vídeos de produção autoral foram selecionados para diversos festivais em vários estados do Brasil e em outros países.

 

Alguns poemas do livro

 

“A Fabiana Gomes” (esposa do autor)

Tenho um amor que se chama Fabiana, que quando não respira, respira por mim. É um amor que não se baseia em premissas ou formalismos. É um amor que, por ser, é uma entidade autônoma, alheia a ela e a mim. Não conhece limites racionais nem estereótipos sociais. É como é, sem lhe importar condutas, sem guardar composturas, mandar as regras para o brejo, normas e comportamentos. Inclusive, lhe torce o rabo da geometria, com o fim de começar do zero. Ele tem a convicção de proclamar um amor de calças, camisa de terbrim e galochas de borracha. No lugar de transnoitar, busca ser um vagalume amarelo de todas as noites do mundo, sem levar em consideração hemisférios, religiões e ideologias, sem recorrer a enciclopédias, livros da Dona Benta ou programas da Bela Gil. Por consequência, procura tomar do feng shui, do taoísmo e do budismo o espírito; não, a forma.”

 

“Minha vida é um limão, por favor, devolvam o meu dinheiro!

A Fernando Raíces

Estava eu um dia desses que podem ser comprados em qualquer lugar, caminhando porque essa ação sempre me funcionou bem. Caminhei por todos os espaços os quais eu via que podia passar, tanto os que me traziam luz quanto os que me traziam sombra. Minha mãe reclamava dizendo que eu não fazia nada além de caminhar, mas mãe!, se eu não caminho me entedio. De tanto caminhar por aqui e acolá, percebi que o amor tem muito de fantasma. Por isso já decidi que, na próxima festa à fantasia, vou vestido de fantasma, de fantasma total, com talco nos bolsos, arrastando correntes que, mesmo que chiem, servem para anunciar minha chegada, com castanholas penduradas no pescoço e até presentearia sentenças de fantasma, do tipo: um fantasma apaixonado é pior que ter um vizinho esquizofrênico; os fantasmas criaram o arco-íris; o planeta dos fantasmas está superpovoado. O fantasma que me imagino resulta de uma peculiar mistura de coisas que, por si só, são consideradas coisas de fantasmas. Deixo expresso aqui e agora que, onde houver uma festa à fantasia, sugiro, se não querem ter pesadelos com fantasmas, que me convidem.

 

A vida de fantasmas é muito econômica, já que sua moeda de câmbio são os limões. Uma empanada custa um limão e meio, um sorvete três quartos de um limão, um beijo pode valer desde sete limões até o infinito ímpar (porque traz sorte). É que os fantasmas são muito cabalistas. Todos os fantasmas vivem com cheiro de limão nas mãos, nas vestes; estão impregnados de cheiro de limão até nas gengivas. O limão é como uma droga. Como em toda tribo, clã, ou grupo, sempre existe um que é o do contra, que não aceita por completo a forma de vida que lhe cabe e prefere corá-la pela raiz e se afastar para viver outra vida. Assim, um fantasma que vivia contrariado com os hábitos fantasmais, passava dia e noite, manhãs e tardes, pensando no que fazer para fugir. Desta maneira, começou a fazer desaparecer calendário após calendário, foi comendo os dias um por um, até que um dia não havia mais fantasma, havia um limão.”

 

“Mata-me se não te sirvo...

Passou mais um ano sem estar em ou com Maryland, sem bichinho de estimação, sem amuletos (gastei todos), sem meia laranja, até a casca eu ralei. A laranja que ando procurando parece que se perdeu no alfabeto. Tudo se complica, porque quem não sabe que a laranja pode se disfarçar de uva, a uva de melancia e a melancia de morango. A propósito, que saborosos são os morangos! Eu gosto muito mais dos morangos que das laranjas. Enfim. Agora começa outro ano, outros trezentos e sessenta e cinco dias. Não acho que eu me aproxime, nem que vá poder mudar a maryland, muito menos a sua periferia. Dizem que: women need love like a fish needs a bicycle. Então, se é só questão de ser peixe ou pescado, ter escamas e cheirar mal, já vou logo comprar uma bicicleta. Mas não é tudo tão fácil, porque se fosse perguntem ao relógio.

Uma canção se responde com outra canção: Mata-me se não te sirvo, mas primeiro prova-me!”

 

 

Serviço:

“Lançamento do livro: Minha vida dá um limão”

Dia: 29 de setembro, quinta-feira

Horário: 19h (duas horas de duração)

Local: Sesc Palladium - Foyer Augusto de Lima (Av. Augusto de Lima, 420, Centro)

Entrada gratuita. Espaço sujeito a lotação.

Classificação: livre

 

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