Amauri Reis celebra 35 anos de carreira com a comédia
“Boa Noite Cinderela”

Foto: Divulgação

"Boa Noite Cinderela"
"Boa Noite Cinderela"

Foto: Tiago Pereira

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Sob a direção de Inês Peixoto, texto de Carlos Nunes utiliza do sórdido e clássico golpe para tratar de preconceito, da solidão humana e da liberdade de escolha no amor. Montagem estreia dia 21 de julho, no Teatro Marília, em Belo Horizonte

 

 

Há dois anos, o ator Amauri Reis sentiu o desejo de montar um espetáculo para trazer à tona as consequências de se cair no famoso golpe “boa noite cinderela”. A encomenda do texto foi feita ao amigo e também ator Carlos Nunes, que apresentou a história de um bancário cinquentão,  bailarino clássico amador que, após conhecer um rapazote na boate, acorda, três dias depois, em casa, sozinho, sem móveis, sem dinheiro, com medo e sem coragem de acionar um socorro, por vergonha. Com o enredo em mãos, Amauri convidou a amiga de infância, parceira de outras produções, a atriz e diretora Inês Peixoto para fazer a direção. Uniu-se ao time, Cícero Miranda, responsável pelo cenário e figurino, Wladimir Medeiros, pela iluminação, e Márcio Monteiro, para criar a trilha sonora. E, agora, no ano comemorativo de seus 35 anos de carreira, após mais de 24 meses aprendendo balé clássico para interpretar seu personagem, Amauri estreia o espetáculo “Boa Noite Cinderela”, com apresentações dias 21 a 24 e de 28 a 31 de julho, sempre de quinta a domingo, no Teatro Marília, em Belo Horizonte.

 

Na montagem, sozinho no palco, Amauri Reis interpreta esse personagem que se vê sem nada e, cheio de angústia, dispara para si mesmo perguntas do tipo: “Como é que eu vou contar para a minha mãe? Como eu vou falar com o meu pai? Como que eu vou contar para o mala do meu chefe? Como vou falar com minha amiga Marcilene?”. Para o ator, o texto revela a realidade compartilhada por grande parte da sociedade que vive oprimida pelo medo das reações das pessoas. “A peça mostra essa grande vergonha, aqui representada pelo cara que não pode contar a tragédia que ocorreu com ele, por ele tem um nome a zelar no banco e com os pais, já que é um gay totalmente dentro do armário. E nem para a melhor amiga, com medo da zombaria por ter levado um menininho para casa, já que ela não vai entender que ele queria  mesmo era companhia e carinho. É a partir daí, que falamos de solidão e de amor,  com um contexto atual, já que estamos vivendo um momento de exacerbação da homofobia, onde um cara entra numa boate e mata, a tiros, 50 homossexuais. É um espetáculo que alerta para que as pessoas se respeitem, independente se é branco, negro, espírita, católico, hétero ou homossexual”, diz Amauri.

 

Inês Peixoto conta que quando leu o texto, aceitou fazer a direção com a condição de que tivessem um tempo maior de processo para que conseguissem levar a história para um lugar mais vertical. “Eu não queria abordar esse tema somente brincando com o inusitado de um homem vestido de bailarina . Então, ela propôs ao Amauri que tentassem achar o humor, com outra pegada. “E nada como mexer no material pra você ir se apropriando. Então, quando conseguimos tocar na delicadeza desse personagem,  começamos a sentir que estávamos com um espetáculo leve e muito tocante nas mãos. Fui me emocionando com este processo todo. Acho que é um assunto que precisamos falar muito, a cada dia. Desde o começo do ano pra hoje, ou seja, de março de 2016, quando começamos a ensaiar, até junho, essa urgência tornou-se ainda maior diante dos acontecimentos que estão ocorrendo no nosso país, esse retrocesso na liberdade de expressão, nas liberdades de escolha”, avalia. 

 

Para a diretora, a peça aborda essa questão do personagem, este caso isolado, para tocar na universalidade do assunto. “É bonito, por exemplo, os momentos em que ele fala da solidão moderna, essa solidão em que a gente esta acompanhado por  milhões de seguidores de redes sociais, e ao mesmo tempo esta todo mundo sozinho”, lembra. Outro ponto que a peça toca é a dificuldade do diálogo para você expor suas opções e aptidões, nesses moldes a que somos obrigados a conviver com eles. “Eu estou muito feliz em estar falando disso através do texto do Carlinhos, através da atuação do Amauri, de toda essa entrega, este desnudamento dele em cena. Estou  super animada, a gente está com uma equipe mega enxuta. Amauri está produzindo sem patrocínio. Isso também reforça nosso discurso de que o artista quer sim continuar falando o que ele tem que falar. Nem sempre temos o apoio das leis de incentivo e patrocinadores mas, continuamos criando. Estou feliz porque me sinto representada também na peça. Porque eu sou da liberdade. Meu discurso é o discurso da liberdade. Então, juntamente com meus amigos, colocar isso em cena é maravilhoso, meu desejo é que o espetáculo comunique, que essa mensagem vá embora por aí e toque as pessoas de alguma forma”, completa Inês.  

 

A montagem - produção

O ponto de partida para começar a montagem foi a necessidade de Amauri Reis dominar um pouco de balet clássico para realização do número de dança presente no texto. Em 2013, ele iniciou as aulas. Depois, realizou workshops de imagem do personagem como gerente de banco e como bailarino clássico. Os ensaios da montagem começaram em março de 2016. “Amauri me mostrou, no primeiro dia de ensaio, a coreografia que ele trabalhou durante os dois anos a que ele se dedicou ao balet. Desta primeira cena, partimos para o "acordar" de um "boa noite Cinderela". Mergulhamos nos temas da solidão, do preconceito, da fantasia, do amor e da perda. Assistimos filmes realistas sobre relações amorosas pagas, como por exemplo "O Cheiro da gente". Assistimos diversas versões de "Cinderella" e "O lago dos cisnes ", mergulhando no universo encantador e feminino das princesas bailarinas. Bebemos em Chaplin e no Les Ballets Trockadero de Monte Carlo. Fomos encontrando nosso jeito de dançar, sofrer e rir dessa história”, revela Inês Peixoto.

 

A diretora explica que os elementos utilizados no espetáculo remetem a uma fuga do espaço real. “Fizemos a opção de não entrar no realismo, no gabinete realista. Temos vários simbolismos, tanto no figurino, no cenário, como na maneira de atuar. Entramos em territórios simbólicos com a intenção de tocar as pessoas. Acho importante mesclar o masculino e o feminino que, na peça, estão bem representados, visualmente, na figura do Amauri, quando mesclamos a musculatura dele com o brilho do tutu que ele veste. Fazemos uma fusão desses dois universos porque nossas almas são isso, tanto do homem quanto da mulher. Acho que, simbolicamente, a gente traz um discurso na imagem que pode dar um clique nas pessoas no sentido de que nós podemos ser aquilo que queremos e respeitando o outro. A nossa subjetividade tem que ser respeitada. Isso traz a discussão de gênero, o que é de menino ou menina. E acho que essa nova geração não quer mais esse limite, que tem que ser de homem ou de mulher. Tem que ser do ser humano. Há muito preconceito a ser quebrado”, acredita Inês. 

 

Márcio Monteiro conta que o pontapé inicial para a trilha sonora foi o Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky, que já era referência na construção da personagem e preparação corporal. “Isso, somado à estranheza dissonante da Suíte Cinderella, de Prokofiev. Em contraste com este universo da música clássica, algumas músicas populares já faziam parte do processo criativo e foram modificadas, ganhando novo significado na dramaturgia sonora. Desenhos animados clássicos também serviram de inspiração para a criação dos efeitos sonoplásticos”, adianta.

 

Ficha Técnica - “Boa Noite Cinderela”

 

Texto - Carlos Nunes / Elenco  - Amauri Reis / Participação em áudio - Kayete  (áudio), / Participação em vídeo - Sammer Iêgo Lemos / Direção - Inês Peixoto / Assistente de direção - Kênia Oliveira / Cenário e Figurino - Cícero Miranda / Modelagem do Figurino da Bailarina - Ana Maria Faleiro  / Criação de Luz - Wladimir Medeiros / Trilha Sonora - Márcio Monteiro/ Preparação Corporal e Coreografia - Leonard Henrique e Denizar Dennis / Chefe de palco - Márcio Carvalho / Designer Gráfico e fotos - Tiago Pereira / Assessoria de Imprensa - Jozane Faleiro - Luz Comunicação / Produção - Amauri Reis / Agradecimentos: Wesley Marchiori, Patricia Avelar Zol, Suelly Freire Escola de Dança, Eduardo Moreira, Kayete, Marcus Vinicius Rodrigues Oliveira / Agradecimento Especial - Tiago Pereira

 

Serviço: “Boa Noite Cinderela”

Classificação: 12 anos

Duração: 70 minutos

Datas: 21 a 24 e 28 a 31 de julho, quinta a domingo

Horários: quinta a sábado, às 21h /  Domingo, às 19h

Ingressos: R$40,00 - inteira / R$20,00 - meia-entrada conforme a Lei.

Posto do SINPARC - R$15,00 - preço único

Local: Teatro Marília - Avenida Alfredo Balena, 586, Funcionários

Informações: (31) 3277-4697

 

Informações para a imprensa

Luz Comunicação - Jozane Faleiro

jozane@luzcomunicacao.com.br - 31 992046367 - 31 35676714

 

 

Biografias

 

Amauri Reis completa, em 2016, 35 anos dedicados ao teatro em Belo Horizonte/MG. Formado pelo Palácio das Artes em 1979, possui mais de cinquenta espetáculos teatrais em seu currículo entre, produção, atuação e direção. Entre os espetáculos mais recentes em que atuou estão “Na Virada do Sexo” de Wesley Marchiori; “Vexame” de Wesley Marchiori e “Toda Nudez Será Castigada” de Nelson Rodrigues. Na TV, fez participações em “Flora encantada” (Angélica); “Xuxa, no mundo da imaginação”; “Babulua”; MegaTom; Zorra Total; Angel Road (Angélica contratado); Carga Pesada; Minisérie JK; seriado “O Sistema”; “Pé na Jaca” (Novela); minissérie humorística, “Nosso Povo Brasileiro”, exibida pela Rede Globo Minas  durante o telejornal MGTV e “Álbum de Figurinhas”, exibido no Globo Esporte. No cinema, atuou em “Amor e Cia.”, dirigido por Helvécio Ratton. Ganhou os prêmios: 1987 – Ator Coajuvante por FRANK V – Prêmio Inacen – BH;  1997 – Ator por THE ADAMNS – Prêmio Bom Sucesso/AMPARC; 1997 – Ator Coadjuvante por THE ADAMS – Prêmio SESC/SATED; 2003 – Ator Comediante por; NA VIRADA DO SEXO – Prêmio SESC/SATED; 2005 – Ator Comediante por  VEXAME - Prêmio SESC/SATED.

 

Inês Peixoto - Nasceu em Belo Horizonte, em 1960. Ingressou no TU - Teatro Universitário, em 1979 e, em 1981, migrou para o CEFAR- Centro de Formação Artística da Fundação Clóvis Salgado, onde se profissionalizou. Trabalhou em vários espetáculos de produtores locais na década de 80, entre eles, “A viagem do barquinho” direção Tião Camilo e Beto Lima, “Cigarras e  formigas” direção Afonso Drumond,  “Brasil, Mame-o ou deixe-o” direção Luiz Carlos Moreira, “Quando fui morto em Cuba” direção Belisário Barros e “Foi bom, meu bem?” direção Luiz Carlos Moreira. Participou da comédia musical  “No Cais do Corpo” direção Ricardo Batista,  trabalho que uniu o grupo de atores e músicos que  formou o “ Veludo Cotelê- a maior banda de rock-brega do mundo”. Paralelamente, produziu e atuou em “Casablanca, meu amor” direção de Yara de Novaes. Em 1992, depois de participar de uma série de workshops promovidos pelo Grupo Galpão, foi convidada para a montagem  de “Romeu e Julieta” direção de Gabriel Villela. Desde então, tornou-se integrante do grupo, participando de todas as montagens seguintes: “A rua da amargura” direção Gabriel Villela, “Um Moliére imaginário” direção Eduardo Moreira, “Partido” direção Cacá Carvalho, “Um trem chamado desejo” direção Chico Pelúcio, “O Inspetor Geral” direção Paulo José, “Um homem é um homem” direção Paulo José, “Pequenos milagres” direção Paulo de Moraes, “Till, a saga de um herói-torto” direção Júlio Maciel, “Eclipse” direção Jurij Alschitz, “Os gigantes da montanha” direção Gabriel Villela. Dirigiu os espetáculos “Vexame”, “Arande Gróvore” e “Doida”. No cinema, participou de “Vinho de Rosas” direção Elza Cataldo, “5 Frações de Uma Quase História” direção Criz Azzi, “Outono” direção Pablo Lobato, “Tricoteios” direção Eduardo Moreira, Rodolfo Magalhães e Criz Zago, “Os filmes que eu não fiz” direção Gilberto Scarpa, “O crime da atriz” direção Elza Cataldo, “Revertere ad locum tum” direção Armando Mendz, “Oxianureto de Mercúrio” direção André Carreira, “Moscou” direção Eduardo Coutinho, “Meu pé de laranja-lima” direção Marcos Bernstein , “Entre Vales” direção Felipe Barcinski.  Dirigiu em parceria com Rodolfo Magalhães o média-metragem “Para Tchékhov”. É bacharelanda em Cinema e audiovisual do centro Universitário UNA, em Belo Horizonte.Na televisão participou do especial “A Paixão Segundo Ouro Preto”, direção Rogério Gomes e Cininha de Paula e das minisséries “Hoje é Dia de Maria” direção Luiz Fernando Carvalho , “Hoje é Dia de Maria- Segunda Jornada” direção Luiz Fernando Carvalho, “A Cura” direção Ricardo Waddington, “A Teia” direção Rogério Gomes e da novela “Meu pedacinho de chão”, direção Luiz Fernando Carvalho, “Além do Tempo”, direção Rogério Gomes. Já foi agraciada com 12 prêmios por sua atuação  em teatro e 2 prêmios por sua atuação em cinema.